27/03/2025
Ao passar pelo Condomínio Ponte Grande, localizado no bairro Várzea, é impossível não notar a grande quantidade de animais soltos pelas ruas. Nos últimos meses, a ALPA tem recebido um número crescente de notificações de maus-tratos e pedidos de ajuda envolvendo animais dessa região.
Com o objetivo de entender melhor a situação, nos dias 15 e 22 de março de 2025, voluntários da ALPA realizaram um levantamento populacional dos animais domésticos que vivem no condomínio. A pesquisa teve como foco identificar o percentual de animais não castrados e a presença de doenças zoonóticas, que representam riscos à saúde pública.
Das 197 residências do condomínio, 157 abriram as portas para nossos voluntários. Os dados colhidos são alarmantes: foram contabilizados 252 cães e 109 gatos, sendo que apenas 20% dos animais estão castrados. Além disso, 31 casos de zoonoses ou suspeitas de doenças com potencial zoonótico foram registrados, demonstrando a urgência de medidas preventivas e de controle.
Com base nesses números, estimativas populacionais indicam que, se nada for feito, a população de animais no condomínio pode crescer quase 380% em apenas um ano, o que representa um acréscimo de aproximadamente 960 cães e 408 gatos — impactando significativamente os índices de abandono e o bem-estar animal em nosso município.
Segundo Aline Vanessa Waltrick, vice-presidente da ALPA e líder da iniciativa, através dessa pesquisa queremos buscar parcerias público ou privada para conter o crescimento populacional de animais nessa região, beneficiando assim os moradores e os próprios animais que também sofrem com isso.
Um relatório foi encaminhado para o Centro de Bem-Estar Animal, e a ALPA espera poder criar um plano de castração em massa para o condomínio em parceria com a prefeitura de Lages.
Durante a coleta de dados, a presença de carrapatos foi uma das queixas mais recorrentes entre os moradores. Muitos relataram infestação nos quintais, nos animais e até mesmo dentro das casas.
Mas afinal, o que são os carrapatos e por que precisamos nos preocupar?
É importante destacar: os animais não são os culpados pela presença de carrapatos. Eles, na verdade, também são vítimas. A ausência de políticas públicas de castração, controle populacional, cuidado veterinário e educação em saúde pública são os verdadeiros fatores que favorecem a proliferação desses parasitas.
Animais abandonados ou sem cuidados adequados tornam-se hospedeiros ideais para os carrapatos, que encontram nas áreas urbanas locais perfeitos para se multiplicar. A falta de controle ambiental, limpeza adequada dos terrenos baldios e ausência de ações conjuntas entre poder público e moradores agrava ainda mais o cenário.